"António Rodrigues Assunção devia ser considerado um ilustre da cidade. Não pela sua personalidade, feitio ou maneira de ser mas sim pelo esforço e dedicação que tem dado ao estudo da história da Covilhã: quantos ousariam fazer uma pesquisa intensa e profunda sobre as enraizadas e maciças raízes do movimento operário da Covilhã? Quantos ousariam passar para o papel um conhecimento tão profundo como é a história do NOSSO movimento operário?"
"Felizmente existe uma (ainda não completa) obra sobre os nossos operários…"
"António Rodrigues Assunção deu mais alguns parágrafos à nossa história e, embora não tenha a fama de muitos outros, o Covilhanense que se interessa realmente pela cidade saberá perfeitamente quem ele é, o que escreve e o que pensa da cidade."
"Encontramo-nos bastantes vezes na biblioteca: sempre com um sorriso e com um ar “alucinado” (no bom sentido), lê, relê, escreve e reescreve… quando eu chego falamos um pouco e acaba com o seu sempre um motivador “boa sorte para ti e para os teus estudos”, agradeço e retribuo."
"Sobre a sua obra “Movimento Operário da Covilhã” e toda a sua riqueza não falarei concretamente porque entendo que cada um deve ler e fazer a sua analise: por isso leiam e se possível releiam, aconselho vivamente."
"Estive num debate com ele em mais uma “troca de palavras com…” – ciclo de debates mensais promovidos pela Câmara nas últimas quintas de cada mês. A sala estava “a meio gás” mas foi uma das melhores salas que já apanhei em debates: operários, sindicalistas, escritores, membros de colectividades e associações: concordantes e discordantes."
"Foi um debate fascinante onde aprendi muito. Sobre o debate em si destaco apenas duas discussões fulcrais: discutiu-se, com a entrada do PC nos sindicados, até que ponto os sindicatos eram livres ou não… gerou-se polémica e opiniões diferentes, destaco uma citação de um ex – sindicalistas desiludido: “ uma vez no sindicato a direcção (PC) levou lá a Zita Seabra. Vinha com papelinhos com ordens e direcções específicas para a nossa luta. Respondi: Eu sou trabalhador e membro deste sindicado, falo de cor, sem papéis e sem ordens de cima… Não preciso de pauta para saber ler musica”. Discussão finda… Outro tema interessantíssimo discutido foi a politização dos operários. Mais uma vez gerou controvérsia: um operário que viveu a época dizia (a propósito da analise do professor Assunção de haver dois tipos de corrente nos sindicatos – Anarco Sindicalistas e Socialistas) que não havia qualquer tipo de politização nos operários nesse aspecto. Cá atrás impune Alberto Oliveira – homem de lutas que tive oportunidade de conhecer -, diz que os operários sabiam perfeitamente em que corrente que reviam e sobretudo que a politização do sindicado não eram propriamente as correntes mas sim o seu conhecimento sobre a sua vida, as suas dificuldades, as dificuldades dos seus camaradas, a fome, a miséria e o que queriam para a sua vida, para a sua fábrica, para o seu sindicato."
"O debate terminou de forma estranha… A representante da Câmara e directora da biblioteca disse: o debate está muito interessante mas temos de terminar, para a semana fazemos outro sobre o 25 de Abril. Mas afinal quem é que estava a discutir o 25 de Abril? Debatia-se o movimento operário, as suas raízes, a sua força e a sua importância. (Dou um desconto porque nunca tive razões de queixa da referida senhora e sempre foi muito simpática e prestável para todos os utilizadores da biblioteca municipal.)"
"Conclui-se que por cá se debate: estuda-se, lê-se e escreve-se… e que bem que se escreve!"
"Não ficará a obra de António Rodrigues Assunção numa estante a apanhar pó… Não! A sua obra vale ouro para a história da Covilhã… Cabe a nós Covilhanenses preservá-la por longos e longos anos."
João Nuno Mineiro
8 comentários:
"Sobre a sua obra “Movimento Operário da Covilhã” e toda a sua riqueza não falarei concretamente porque entendo que cada um deve ler e fazer a sua analise: por isso leiam e se possível releiam, aconselho vivamente." Pois... e já agora joão lê tu também, que esta já é velha:)
Eu já li "A".
Até já o discuti com o professor. Falas sem saber, só isso.
Continuação.
João
Foi este o rapaz que se arvorou puxar as orelhas à comunicação social só porque não deram notícia de uma festa que organizou com uns amiguinhos:):):)com o objectivo de pressionar as opções editoriais da mesma. Como simpatizante do BE, espero que este partido nada tenha a ver com este pobre texto de auto-promoção que nem suscita debate nem coisa nenhuma.
Quem é o garoto que perde o seu tempo a ler a história do movimento operário da covilhã? Não tens vida rapaz?
...seria muito mais interessante dixares aqui a tua perspectiva sobre a obra do autor, principalmente do segundo volume:)
“A”, o interesse não seria fazer uma analise em si da obra. Primeiro porque a obra se baseia em factos concretos, investigados e provados e portanto a única análise mais pessoal que poderia fazer ao segundo volume seria talvez sobre a divisão que ele deu ao segundo volume, os factos que marcam essa divisão e a sua relevância… a relação dos movimentos com a guerra, os novos modos de “organização” da luta”, especificar politicamente as diferenças ideológicas entre operários ou a relação da condição operaria com a educação que ele aborda mas o que para mim é relevante é a importância em si da obra, porque o que pretendo é aguçar um pouco a curiosidade. Eu não quero fazer o resumo em si da obra só para mostrar que a li… para que? Achas que isso me interessa? Interessa-me afirmar a importância da obra e influenciar uma outra pessoa a dar uma vista de olhos nos livros, ou em mera pesquisa autónoma. Como é que aquele ditado do peixe e da pesca? Não deves dar o peixe mas ensinar a pescar. É um inicio, nada mais que isso… sem relevância de maior.
Patricia:
Acho bem que conheça essa história… é bom sinal. Mas certamente conhece o texto escrito e o que argumentava… Saberá igualmente a justificação para a total ausência da comunicação social em duas iniciativa totalmente organizada por jovens.
Os jovens só interessam na nossa terra e no nosso país para serem cobaias de analises estúpidas e incoerentes de que os jovens não se interessam por nada, são ignorantes e só querem copos e sexo. É a teoria dominante. E essa teoria é tão forte que quando os jovens provam que isso é mentira, os agentes fundadores dessa teoria preferem silenciar… calar… ou destorcer. E é ai que me situo: eu não me calo, nem me calarei!
Mas estou de espírito aberto e dai ter respondido e pedido desculpa a um(a) jornalista que prontamente respondeu e justificou a ausência nos debates.
Mas sinceramente eu sinto que esse texto serviu para alguma coisa… a visão sobre o movimento de jovens da Covilhã nunca mais foi a mesma. A CS já se interessa um pouco mais e já aparece, salvo algumas excepções, e isso é uma vitória, não para mim João Mineiro, mas sim para todos os jovens que compõe o movimento de jovens da Covilhã e que acreditam numa sociedade mais justa.
Esta obra é um bom ponto de partida para um reflexão profunda acerca da especificidade da luta operária na Covilhã e os seus reflexos na Covilhã de hoje, porque não em comparação com outras terras beirãs ligadas pela mesma indústria, como a Guarda, mas com histórias de luta diferentes. Uma obra destas não se presta apenas ao resumo mas à dedução das suas implicações.
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