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sexta-feira, março 04, 2011

Purgatório_Filme made in UBI seleccionado para o Fantasporto 2011




Miguel Rafael, antigo aluno de mestrado em Cinema da UBI viu o seu filme “Purgatório” seleccionado para um dos mais famosos festivais de cinema português –o Fantasporto 2011 que está a decorrer até 6 Março.



quinta-feira, novembro 25, 2010

UM FUNERAL VIVO NOS CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS_O DVD de Um Funeral à Chuva pode ser encontrado a partir de 7 de Dezembro na Fnac e Worten



O filme Um Funeral à Chuva, de Telmo Martins, foi o grande vencedor da XVII edição do festival de cinema Caminhos do Cinema Português, que decorreu em Coimbra de 14 a 23 de Novembro. A longa-metragem que estreou nas salas a 3 de Junho de 2010 foi galardoada com 3 prémios: Melhor Longa-Metragem, atribuído pelo júri oficial; Prémio de Imprensa, atribuído pelo júri de imprensa presente; e Prémio do Público, atribuído com base numa votação dos espectadores do festival.



Quando se aproxima a data de lançamento do DVD no mercado, marcado para o início de Dezembro, o filme Um Funeral à Chuva volta a marcar o seu lugar no cinema português. Depois de ter sido produzido pela empresa portuguesa Lobby Productions sem os habituais subsídios ou apoios financeiros da grande maioria das produções nacionais, de ter conseguido distribuição nacional através da Zon Lusomundo e de ter sido o 3º filme português com maior número de espectadores em 2010, o filme de Telmo Martins obtém agora o reconhecimento num dos mais importantes festivais de cinema português.

O DVD de Um Funeral à Chuva pode ser encontrado a partir de 7 de Dezembro nas principais lojas Fnac e Worten do país.


Sobre Um Funeral à Chuva
Um Funeral à Chuva é um filme do jovem realizador Telmo Martins, com produção de João Feitor e Orlandina Veiros, fotografia de Pedro Azevedo, e argumento original de Luís Campos. Nos principais papeis conta com interpretações de Pedro Górgia, Alexandre da Silva, Pedro Diogo, Sílvia Almeida, Luís Dias, Sandra Santos, Hugo Tavares e João Ventura.

Sinopse:
Um grupo de antigos estudantes universitários reencontra-se na cidade onde havia estudado, devido à morte de um deles. Na obrigação de satisfazer o último desejo deste, o grupo inicia uma jornada de auto-descoberta sobre a essência da amizade verdadeira. Contudo, há dez anos que não se viam...

Sobre a Lobby Productions
A Lobby Productions é uma empresa portuguesa de produções audiovisuais, criada em 2006 pelos sócios Telmo Martins, Orlandina Veiros, João Feitor e Luís Dias. Para além de spots publicitários, videoclips, filmes institucionais e vários serviços de pós-produção, a empresa dedica-se à produção de séries de televisão, curtas-metragens e longas-metragens, onde se destaca, entre outras, a produção do filme Um Funeral à Chuva.

Para mais informações consultar:
www.lobbyproductions.com

Sobre o festival Caminhos do Cinema Português
O festival Caminhos do Cinema Português é uma iniciativa co-organizada pelo Centro de Estudos Cinematográficos/AAC e da AACC – Associação de Artes Cinematográficas de Coimbra. Iniciado em 1988 e actualmente na sua XVII edição, o Caminhos do Cinema Português é um festival de cinema exclusivamente português e abrange obras de Longas-metragens, Curtas- metragens, Animação e Documentários. Por este festival já passaram alguns dos grandes nomes do cinema nacional, como Manoel de Oliveira, João Botelho, João César Monteiro, Fernando Lopes ou João Canijo, entre outros.

Para mais informações consultar:
www.caminhos.info

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Atentamente, Lília Varejão Dep. Marketing SEDE:
Lobby Productions – Full Service Production House Parkurbis
Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã
6200-865 Covilhã
Telf.:+351275957009 fax:+351275957005

geral@lobbyproductions.com
www.lobbyproductions.com


Para mais informações contactar:
Sérgio Lopes
Responsável de Marketing da Lobby Productions
Email: sergiolopes@lobbyproductions.com / Tel: 275957009

terça-feira, junho 15, 2010

Um funeral à chuva - entrevista com o guionista Luís Campos

Post image for Um funeral à chuva - entrevista com o guionista  Luís Campos

Dia 3 de Junho estreia em 20 salas do País o filme “Um fune­ral à chuva”, escrito por Luís Cam­pos e rea­li­zado por Telmo Martins.

É um dos pri­mei­ros fil­mes a ser rea­li­zado em Por­tu­gal segundo um modelo inde­pen­dente, sem apoios do Estado, recor­rendo ape­nas a apoios de empre­sas pri­va­das e à boa von­tade de todos os envol­vi­dos, que aceitaram tra­ba­lhar em fun­ção de divi­den­dos futu­ros. Ape­sar disso conseguiu con­ven­cer os dis­tri­bui­do­res e exi­bi­do­res a estreá-​​lo em cerca de vinte salas em todo o país.

Apro­vei­tei a opor­tu­ni­dade para fazer uma pequena entre­vista com Luís Cam­pos, o autor do guião.

foto luis campos artigo.jpg

O rea­li­za­dor Telmo Mar­tins (esquerda) e o gui­o­nista Luís Cam­pos,

durante as filmagens


João Nunes

Fala-​​me um pouco do pro­jecto. Como sur­giu o “Um Fune­ral à chuva”?

Luís Cam­pos

A Lobby Pro­duc­ti­ons foi fun­dada há 3 anos, na Covi­lhã. Os 4 mem­bros fun­da­do­res foram ex-​​colegas uni­ver­si­tá­rios: Telmo Mar­tins, Orlan­dina Vei­ros, João Fei­tor e Luis Dias. Todos já tinham tra­ba­lhado enquanto equipa em diver­sos pro­jec­tos de curta-​​metragem, algu­mas pre­mi­a­das em festivais. Antes de fun­da­rem a Lobby haviam, jun­tos, pro­du­zido cur­tas como “Rupo­fo­bia”, “Uten­sí­lios do Amor”, “Cros­swalk”. Nes­sas cur­tas anexaram-​​se alu­nos do curso de cinema da Uni­ver­si­dade da Beira Inte­rior, entre eles, eu, e fomos for­mando uma espé­cie de equipa de trabalho.

João Nunes

E o Fune­ral, como surgiu?

Luís Cam­pos

Há cerca de 3 anos atrás, quando está­va­mos a rodar o “Uten­sí­lios” o Telmo e o Luis come­ça­ram a esbo­çar um argu­mento que abor­dava o reen­con­tro de ex-​​colegas uni­ver­si­tá­rios na oca­sião da gra­du­a­ção de um deles. De certa forma, esta­vam a trans­cre­ver para papel algu­mas das memó­rias deles enquanto estu­dan­tes. Foi no Uten­sí­lios, que teve um guião do Jorge Vaz Nande, e esse novo pro­jecto foi pas­sado ao Jorge. O Jorge come­çou a escre­ver o guião de um filme que era inti­tu­lado “Tempo Pre­sente — Memó­rias de Um Estu­dante”. Entre­tanto fundou-​​se a Lobby, fize­mos mais umas coi­sas jun­tos, eu ter­mi­nei o Mes­trado em 2008 e o pro­jecto da longa foi-​​se cimen­tando. No iní­cio de 2009 entrei num está­gio pelo Inov-​​Art em Bar­ce­lona a fazer repre­sen­ta­ção da Lobby entre diver­sas tare­fas rela­ci­o­na­das com con­sulta de mer­cado, ela­bo­ra­ção de estra­té­gias de desen­vol­vi­mento inter­na­ci­o­nal, etc. Entre­tanto o guião do Jorge havia sido sub­me­tido ao ICA (Ins­ti­tuto do Cinema e Audi­o­vi­sual), sem sucesso. Durante o meu está­gio foram-​​se con­se­guindo defi­nir impor­tan­tes par­ce­rias na Beira Inte­rior que faci­li­ta­riam uma pos­sí­vel roda­gem do filme. Por volta de Junho de 2009 con­cor­re­ram com o guião ao FICA(Fundo de Inves­ti­mento do Cinema e Audi­o­vi­sual) e o pro­jecto foi apro­vado mas o guião neces­si­ta­ria de melhorias.

João Nunes

Como é que entraste no projecto?

Luís Cam­pos

Como eu estava em Bar­ce­lona, na altura e tinha escrito recen­te­mente alguns pro­jec­tos para a Lobby, de séries tele­vi­si­vas e curtas-​​metragens, abordaram-​​me no sen­tido de “melho­rar” o guião do Jorge. Achei que tal não fazia sen­tido uma vez que eu até não era entu­si­asta pela estru­tura e desen­vol­vi­mento do guião exis­tente. Pro­pus ao Telmo res­cre­ver algo do zero base­ado na mesma pre­missa de reen­con­tro de ex-​​colegas, mas com estru­tura, per­so­na­gens e plots com­ple­ta­mente dife­ren­tes. Aí che­guei à ideia do fune­ral, adi­ci­o­nei per­so­na­gens e escrevi um guião de raiz. A ideia foi rejei­tada a pri­ori mas, após 3 dias e um pri­meiro esboço, lá os con­se­gui convencer.

João Nunes

Um pri­meiro esboço de quê? Do novo guião? Ou uma sinopse?

Luís Cam­pos

Sim. O guião. A 1ª ver­são foi feita em 3 dias!!

João Nunes

P***! Não posso pôr isso no site!

Luís Cam­pos

?(risos)

Eu sei! Mas é a ver­dade. Isto foi em Junho.

João Nunes

Con­ti­nua…

Luís Cam­pos

Depois limaram-​​se uns por­me­no­res, consultaram-​​se umas opi­niões e acrescentámos/​corrigimos algu­mas cenas. Gos­ta­ram tanto que deci­di­ram sub­me­ter esse novo guião ao FICA. No final de Junho rece­be­mos a notí­cia do FICA de que não tinha sido apro­vado. Tal notí­cia foi o “leit-​​motif” da ini­ci­a­tiva de pro­du­zir inde­pen­den­te­mente. A Lobby, can­sada de pro­cu­rar apoios, como tinha essa base de empre­sas que aju­da­ria a pos­si­bi­li­tar a pro­du­ção do filme em ter­mos de emprés­ti­mos de mate­rial, alo­ja­men­tos, refei­ções, etc., deci­diu orga­ni­zar as coi­sas e preparou-​​se para rodar o já “Um Fune­ral à Chuva” em Setem­bro na Covi­lhã. Contactaram-​​se acto­res tendo em vista a par­ti­ci­pa­ção pro bono à base de royal­ties futu­ros, depen­den­tes das recei­tas, juntou-​​se parte da equipa que já havia tra­ba­lhado em ante­ri­o­res pro­jec­tos, anexaram-​​se mais alguns alu­nos do curso de cinema da UBI e, em Setem­bro, está­va­mos nós a rodar.

João Nunes

Que ver­são do guião roda­ram? Quan­tas depois da primeira?

Luís Cam­pos

Acho que a 5ª ver­são, mas se hoje con­sul­ta­res a 1ª não é mons­tru­o­sa­mente dife­rente da 5ª. Tem dife­ren­ças estru­tu­rais, obvi­a­mente, a 1ª ver­são era mais “claus­tro­fó­bica”, centrava-​​se muito mais no jan­tar do reen­con­tro, que, no filme como está, ainda ocupa grande parte do filme. Seria, tal­vez, menos comer­cial. Eu tinha visto um filme recen­te­mente que me influ­en­ciou muito para a escrita dessa sequên­cia, “O Segredo de Um Cus­cuz”, todo o rea­lismo dos per­so­na­gens, era um pouco isso que pro­cu­rava. Ide­a­li­zei algo mais “indie”, nessa 1ª ver­são, mas depois foi mais adap­tado a uma estru­tura mais clas­si­cista, mais ao agrado do público, que com­pre­endo e aceito e apoio. Ape­sar de não exis­tir filme mais indie que este, tal con­ceito não se reflecte muito na lin­gua­gem cine­ma­to­grá­fica do filme, ao con­trá­rio do que ide­a­li­zei inicialmente.

João Nunes

Agrada- ​​me essa ideia. Indie na forma de pro­du­ção, mas pre­o­cu­pado em encon­trar uma audiência.

Luís Cam­pos

Con­ti­nu­ando — na roda­gem fui 1º assis­tente de rea­li­za­ção e se há con­se­lho que posso dar é: nunca sejam 1º assis­tente de rea­li­za­ção de um filme com guião vosso.

(risos)

Por­que há mui­tos pon­tos de dis­cór­dia e terão de moti­var uma equipa durante 1 semana ou 1 mês para aspec­tos do filme que até podem não con­cor­dar. Ou seja, se há cargo que pode não ter cor­rido muito bem na roda­gem do filme foi o de 1º assis­tente de realização.

João Nunes

Houve mui­tas alte­ra­ções ao guião durante a roda­gem? Cenas novas, alte­ra­ções de diá­lo­gos, improvisações?

Luís Cam­pos

Houve algu­mas. Uma das per­so­na­gens teve de ser re-​​criada em ter­mos de diá­lo­gos e o clima/​ambiente do filme inti­mista for­çou a que em algu­mas cenas se desse azo à liber­dade impro­vi­sa­ci­o­nal dos acto­res. Alguns comentários/​falas no filme con­se­guem ser hiper-​​realistas por­que saí­ram no momento. Há uma sequên­cia do filme perto do final, na capela em que cada um dos per­so­na­gens vai “pri­var” com o morto e alguns dos tex­tos dos per­so­na­gens foram cor­ri­gi­dos em fun­ção do que havia sido gra­vado até então. Outro há que deve­ria ter sido e não o foi e isso reflecte-​​se no filme mas não é grave. Foi uma per­so­na­gem que foi escrita em fun­ção de outro tipo de per­so­na­li­dade e, ao longo da roda­gem, foi sendo alterado.

João Nunes

Deve ser com­pli­cado estar nessa dupla fun­ção de 1º assis­tente e guionista.

Luís Cam­pos

Muito mesmo, não volto a fazê-​​lo, por­que ape­sar de eu e o Telmo ter­mos tido muita coisa em acordo há sem­pre algu­mas dis­cór­dias e, enquanto 1º assis­tente, tens de saber levar a opi­nião dele avante e moti­va­res uma equipa em fun­ção disso.

João Nunes

Mesmo que não acre­di­tes a 100%.

Luís Cam­pos

Yep. Tens que saber fazer os outros acre­di­tar e acre­dita que não é fácil.

João Nunes

Acre­dito, sim.

Luís Cam­pos

Muito menos quando as pes­soas estão de borla e alguns sacri­fí­cios estão cons­tan­te­mente a ser pos­tos em causa.

João Nunes

Falando nisso: como foi o teu acordo para este filme? Não em ter­mos de valo­res mas de modelo de remuneração.

Luís Cam­pos

Foi à base de royal­ties tam­bém; há uma per­cen­ta­gem envol­vida. Havia um acordo em que caso se ganhasse o FICA o meu hono­rá­rio seria pago a pri­ori. Mas como não foi esse o caso estou, como todos os outros, depen­den­tes das receitas.

Luís Cam­pos

Con­ti­nu­ando nos improvisos…

João Nunes

Sim…

Luís Cam­pos

…antes da roda­gem houve obvi­a­mente todo um tra­ba­lho de planificação/​decoupage ela­bo­rado pelo Telmo, em fun­ção do qual eu orga­ni­zei e estru­tu­rei a roda­gem. Mas quando não tens meios e tens uma cena pen­sada para 40 pla­nos aca­bas sem­pre por te ren­der ao tempo que tens e impro­vi­sar dia­ri­a­mente para que con­si­gas ter a cena. Deixa de haver espaço para capri­chos cri­a­ti­vos, o impor­tante é garan­ti­res a cena, per­de­res o mínimo pos­sí­vel do que ima­gi­naste. Neste filme aca­bou por não se per­der muito do que se ide­a­li­zou. Houve uma parte dessa cena da capela que se per­deu, a tran­si­ção para o fune­ral, e na sequên­cia final, do fune­ral, tam­bém houve algo que se per­deu mas, em fun­ção disso, aca­bou por se ganhar algo mágico. A sequên­cia do final envolve mui­tas core­o­gra­fias, figu­ran­tes, jogo de acto­res, efei­tos espe­ci­ais — chuva, vento, fumo, etc. — e um plano de grua. A cena estava pen­sada para cerca de 20 pla­nos aca­bou por se fazer quase toda em 1 plano-​​sequência. Tive­mos 2 dias para fil­mar o fune­ral, enquanto hou­vesse luz do sol, e no 1º dia aca­bá­mos por não fil­mar quase nada e o pouco que fil­má­mos nem se apro­vei­tou. O 2º dia foi de esgo­ta­men­tos, como é óbvio, e deci­di­mos par­tir para o plano deci­sivo em 1 take perto do final do dia. É um plano sequên­cia de cerca de 7 minu­tos em que ou cor­ria bem ou não havia filme.

João Nunes

O tudo ou nada.

Luís Cam­pos

Feliz­mente, conseguiu-​​se coor­de­nar tudo bem, seguir a intui­ção em alguns por­me­no­res e resul­tou muito muito bem, era impos­sí­vel cor­rer melhor. Eram as rou­pas dos acto­res que se molha­vam e não havia rou­pas suplen­tes, era a câmara que bas­tava ter um pingo de água na lente e anu­lava o plano, era o movi­mento de grua que tinha um ligeiro cho­que e perdia-​​se tudo, etc. Foram 7 minu­tos de ten­são, de grande coor­de­na­ção e, acima de tudo, de supe­rior pro­fis­si­o­na­lismo de todos os envol­vi­dos. Foi qual­quer coisa de mágico e acaba por tor­nar o final do filme igual­mente mágico, é o último plano do filme.

João Nunes

Um bom plano sequên­cia é sem­pre um tour de force.

Luís Cam­pos

Outras coi­sas houve. Por exem­plo, no iní­cio do filme há 2 per­so­na­gens, gays, que tra­ba­lham num clube de vídeo. Ini­ci­al­mente eram para tra­ba­lhar na sec­ção de cd’s de um arma­zém, e o diá­logo con­ti­nha uma crí­tica social à pira­ta­ria e ao “desuso” dos cd’s. Na vés­pera o esta­be­le­ci­mento comer­cial onde iría­mos fil­mar e tive­mos de impor­vi­sar de ime­di­ato. Feliz­mente rodá­mos na Covi­lhã, cidade que todos conhe­cía­mos por viver lá alguns anos, e aca­bas por te movi­men­tar melhor num meio que conhe­ces. Con­se­gui­mos abor­dar o dono de um clube de vídeo — que à maior parte de nós muito aju­dou a con­tri­buir para o aumento da cul­tura cine­ma­to­grá­fica) — e convencê-​​lo a fil­mar lá. Foi estra­nho, nos­tál­gico, fil­mar­mos uma cena do nosso filme numa sala onde tan­tas vezes nos con­fron­tá­mos com aquela magia de esco­lher um filme. Todo esse texto teve de ser alte­rado, em fun­ção de um impre­visto da rodagem.

João Nunes

Tiveste isso em aten­ção na escrita? Pen­sar em sítios que conhe­cias e sabias poder vir a utilizar?

Luís Cam­pos

Alguns, sim: a sequên­cia toda no jar­dim, “vivi-​​a” muito. Vivi muito da minha expe­ri­ên­cia uni­ver­si­tá­ria nesse jar­dim. Uma sequên­cia num jan­tar que apa­rece num flash­back, aquilo aconteceu-​​me mesmo. O por­me­nor da unha do empre­gado, eu “vivi” aquilo. Conhe­cer alguns dos espa­ços, ine­vi­ta­vel­mente esse conhe­ci­mento “físico” influencia-​​te o modo como escreves.

João Nunes

Como é que des­cre­ve­rias este filme? O género, o tom?

Luís Cam­pos

Comé­dia dramática.

João Nunes

A famosa dra­medy…

Luís Cam­pos

Sim, muito por aí.

João Nunes

É um ter­ri­tó­rio difí­cil. Assustou-​​te?

Luís Cam­pos

Nem por isso, por­que quando escre­ves num ter­ri­tó­rio que admi­ras há sem­pre uma moti­va­ção extra. Eu sou muito movido pela crença. Foi o que senti no guião do Jorge, não mexia comigo, não con­se­gui acre­di­tar nele, enquanto espec­ta­dor e, obvi­a­mente, enquanto gosto pes­soal. Por isso decidi criar algo de raiz, em que eu acre­di­tasse, e algo que mexesse comigo, enquanto espec­ta­dor. Estou satis­feito, por­que nesse registo de dra­medy acho que con­se­gui atin­gir a pro­fun­deza que o registo exige. Em deter­mi­na­dos aspec­tos, o drama dos per­so­na­gens está lá, seja numa frase como “afi­nal, sou só mais uma”, “sabes lá o que é res­pon­sa­bi­li­dade”, etc., que, ao espec­ta­dor, pode soar banal, muito por culpa de ser em por­tu­guês mas, se ana­li­sar­mos com aten­ção, tendo em vista o campo em que o filme opera, são fra­ses pro­fun­das, trans­mis­so­ras de dor, de angús­tia, de inca­pa­ci­dade. E uma vez que se abor­dam per­so­na­gens de 30 anos, que há 10 anos sonha­vam ser o cen­tro do uni­verso e viviam de uma forma livre, des­com­pro­me­tida, e hoje, 10 anos depois, são um reflexo da soci­e­dade e dos cos­tu­mes a que a soci­e­dade obriga. Mas não quero entrar muito em des­cri­ções “filo­só­fi­cas” — isso deixo para o espectador.

João Nunes

E o lado comé­dia, fun­ci­ona? Tem de haver equilíbrio.

Luís Cam­pos

Eu sinto que sim e na ante-​​estreia do São Jorge tive o pra­zer indes­cri­tí­vel de con­fir­mar que sim: ter 800 e tal pes­soas a aplau­dir e rir à gar­ga­lhada em inú­me­ras par­tes do filme é algo mais vali­oso do que ler qual­quer crí­tica posi­tiva ou nega­tiva sobre o filme. Senti ali, in loco, a magia do cinema que aju­dei a criar e isso é único. Foi muito bom, no São Jorge, vai ficar na memó­ria de todos nós.

João Nunes

Por falar em ante-​​estreia, como sur­giu a ideia de fazer uma para a selecção?

Luís Cam­pos

Uma das empre­sas que apoiou o filme é a IMB hotéis que apoiou com a cedên­cia de quar­tos para os acto­res, na altura da roda­gem e do espaço para fil­mar no hotel em Unhais da Serra — o H2otel — onde fil­má­mos grande parte do filme. Como a selec­ção aca­bou por ir fazer o está­gio à Covi­lhã e usu­fruir des­ses espa­ços foi fácil arran­jar um acordo entre a Lobby, IMB e Federação.

João Nunes

Acho isso fantástico.

Luís Cam­pos

Pos­si­bi­li­ta­ram isso e, de certa forma, apoi­a­ram a divul­ga­ção. Há um certo cari­nho em torno do filme por ter sido feito como foi; é o melhor mar­ke­ting que pode­mos ter, este pon­tapé na crise que “uns putos do inte­rior” deci­di­ram dar. Há uns meses atrás nin­guém ima­gi­na­ria ser pos­sí­vel fazer um filme che­gar às salas de cine­mas sem meios num país como é Por­tu­gal e onde a tra­di­ção de pro­du­ção cine­ma­to­grá­fica tem os pro­ble­mas que todos conhecemos

João Nunes

Eu cos­tumo dizer que esta­mos todos à pro­cura da 3ª via, entre o cinema de autor e o “ame­ri­cano”. Achas que pode ser esta?

Luís Cam­pos

Sem dúvida que acre­dito que será esta. Eu apelido-​​o de cinema de meio termo, é o que o cinema por­tu­guês pre­cisa. É o que tínha­mos nos anos 50/​60 e que se per­deu com a mudança de regime, infe­liz­mente. A liber­dade cri­a­tiva tornou-​​se algo ego­cên­trica, do ponto de vista artís­tico. O cinema por­tu­guês é pre­ten­si­oso, quer mérito, reco­nhe­ci­mento ou notas. Infe­liz­mente, não se pro­cu­ram sor­ri­sos, lágri­mas e todo o tipo de sen­sa­ções que o cinema tão sin­gu­lar­mente tem o poder de trans​mi​tir​.Eu cos­tumo dizer que sou fã do “Pathos”, gosto que os fil­mes mexam comigo e não me ima­gino a criar algo que não mexa com o espec­ta­dor. Claro que é muito com­plexo, do ponto de vista cri­a­tivo, e o risco que refe­res no dra­medy passa muito por aí. Cada um inter­preta como inter­preta. Eu fiz uma curta-​​metragem ante­rior ao “Um Fune­ral à Chuva”, inti­tu­lada “Azei­tona”. O filme inseria-​​se na home­na­gem ao Manoel de Oli­veira, ao cen­te­ná­rio do Manoel de Oli­veira, e nós deci­di­mos fazer um filme influ­en­ci­ado por títu­los recen­tes como “Juno”, “Lit­tle Miss Sunshine”, entre outros.

João Nunes

Boas refe­rên­cias.

Luís Cam­pos

Mas na ava­li­a­ção aca­dé­mica, uma vez que era inse­rido no pro­jecto final de Mes­trado, houve opi­niões dis­tin­tas, no pai­nel ava­li­a­tivo. Houve com­pa­ra­ções a Flo­ri­bella e eu fiz ques­tão, na defesa do pro­jecto, de ilus­trar as ope­ra­ções semió­ti­cas que tive­mos, enquanto cri­a­ti­vos e auto­res do filme. Os defen­so­res do termo “flo­ri­bella” aca­ba­ram por ter que con­cor­dar por­que essa pro­fun­di­dade está lá se o espec­ta­dor qui­ser ir mais além. O Kubrick tem o mérito reco­nhe­cido por­que quem o ana­lisa sabe ir mais além, per­ce­ber as cono­ta­ções, explo­rar essa pro­fun­deza ima­gé­tica, tex­tual, ou esté­tica. Obvi­a­mente que não me estou a com­pa­rar ao Kubrick mas sim a ten­tar enal­te­cer a riqueza do cinema, da ambi­gui­dade cine­ma­to­grá­fica e, ao mesmo tempo, reco­nhe­cer a com­ple­xi­dade “inter­pre­ta­tiva” do cinema que é dife­rente aos olhos de cada um. Eu lembro-​​me, por exem­plo, do caso “The Big Lebowski”; há pou­cos fil­mes na his­tó­ria que me sai­bam fazer rir tanto mas conheço muita gente que não con­se­gue sequer esbo­çar sim­pa­tia pelo filme. O humor é dos ter­ri­tó­rios mais com­ple­xos no cinema.

João Nunes

Mais uma per­gunta: já há pla­nos para “Um casa­mento à chuva” ?

Luís Cam­pos

(risos)

Sequela não existirá.

João Nunes

E outros projectos?

Luís Cam­pos

Há muita von­tade em con­ti­nuar a fazer coi­sas, é o nosso objec­tivo comum. Eu tenho 3 pro­jec­tos em desen­vol­vi­mento, no momento. Existe um que acre­dito ser o cami­nho a seguir pela Lobby em busca da “con­so­li­da­ção” desse meio-​​termo no cinema naci­o­nal. É uma aven­tura fami­liar fan­tás­tica que opera num epi­só­dio espe­cí­fico da his­tó­ria por­tu­guesa. Mais não posso adi­an­tar, para já. Ape­nas posso dizer que está na linha da frente para um pos­sí­vel avanço. Isto, claro, caso con­si­ga­mos reu­nir os meios para o fazer. Esse filme seria impos­sí­vel de con­se­guir fazer com os meios de “Um Fune­ral à Chuva”. A única coisa que desejo é que este filme che­gue ao máximo de pes­soas pos­sí­vel, uma vez que o seu objec­tivo prin­ci­pal é comu­ni­car com as pes­soas, pas­sar a men­sa­gem pre­ten­dida. Com o sucesso dele, espero que come­ce­mos a ter cré­dito junto de quem tem o poder deci­só­rio no finan­ci­a­mento do cinema naci­o­nal. Con­se­gui­mos o feito de fazer che­gar um filme a 20 salas, sem dinheiro. Creio ter­mos demons­trado que mere­ce­mos uma opor­tu­ni­dade de fazer algo com mais e melho­res meios.

João Nunes

Que­res dizer mais alguma coisa?

Luís Cam­pos

Este pro­jecto foi pos­sí­vel por­que um grupo de jovens “ope­rá­rios” do cinema o con­se­gui­ram tor­nar pos­sí­vel, desde o sur­real esforço da equipa de pro­du­ção, enca­be­çada por Orlan­dina Vei­ros, João Fei­tor, Ana Almeida e Lília Vare­jão, ao bri­lhan­tismo da equipa de fotografia/​imagem, que con­tou com 2 espa­nhóis — Iago e Lucía — pro­fis­si­o­nais vindo pro bono, de pro­pó­sito para o filme, aos elec­tri­cis­tas, que pra­ti­ca­mente sem dor­mir durante 1 mês tive­ram um esforço heróico a carregar/​ montar/​ desmontar/​ trans­por­tar pro­jec­to­res. A coisa foi pos­sí­vel por­que um grupo de heróis acre­di­tou no pro­jecto, fize­ram dele uma rea­li­dade — no pri­meiro dia de roda­gem esti­ve­mos a fil­mar 26 horas inin­ter­rup­tas. Acima de tudo, o filme passa a men­sa­gem implí­cita de que perante o esforço, dedi­ca­ção e devo­ção do ser humano não há crise que prevaleça.

João Nunes

Boa men­sa­gem para ter­mi­nar. O País agra­dece e eu agradeço.

Um fune­ral à chuva” pode ser visto nes­tes cine­mas a par­tir de 3 de Junho:

  • Alva­lá­xia
  • Amo­rei­ras
  • Colombo
  • Vasco Da Gama
  • Dolce Vita Miraflores
  • Almada Forum
  • Oei­ras Parque
  • Dolce Vita Porto
  • MarShop­ping
  • Nor­teShop­ping
  • Par­que Nascente
  • Dolce Vita Douro
  • Aveiro Forum
  • Dolce Vita Coimbra
  • Viseu Forum
  • Braga Par­que
  • Guarda Viva­cine
  • Covi­lhã SerraShopping
  • Espaço Gui­ma­rães
  • Maia Viva­cine

Aqui fica tam­bém um pequeno vídeo com­pro­va­tivo do apoio da Selec­ção Naci­o­nal. Espe­re­mos que daqui a pouco, depois do jogo com os Cama­rões, este apoio ainda seja uma mais valia ;)

Atu­a­li­za­ção: o meu colega e amigo Jorge Vaz Nande, que a certa altura é men­ci­o­nado nesta entre­vista, publi­cou um pequeno artigo no seu blo­gue, escla­re­cendo a sua par­ti­ci­pa­ção no pro­jeto. Reco­mendo a leitura.

joaonunes.com

terça-feira, junho 01, 2010

"Um Funeral À Chuva" na TVI24

Funeral à Chuva é «..uma lufada de ar fresco» OPINIÃO: Lauro António


Surgiu no cinema português um meteoro a que vale a pena dedicar atenção. Trata-se de um filme de todo em todo invulgar. Quem iria imaginar ver surgir a produção de uma longa-metragem de ficção numa cidade como a Covilhã? A interioridade não costuma dar destas coisas, ainda que a Selecção Nacional lá esteja a estagiar com vista ao Mundial da África do Sul. Mas “Um Funeral à Chuva” é decididamente outra coisa. É claro que o facto de existir na Universidade da Covilhã, de há uns anos a esta parte, um curso de cinema deve ajudar a compreender o fenómeno, tanto mais que o realizador, Telmo Martins, é um ex-aluno dessa Universidade da Beira Interior. Mas, mesmo assim, o aparecimento deste filme é um fenómeno novo

. Acrescente-se que surge igualmente à margem de todos os subsídios oficiais e resulta da conjugação de esforços individuais e de boas vontades. É uma produção de pequeno orçamento, mas consegue ultrapassar esses riscos pela honestidade e sinceridade de propósitos.

Estamos já fartos de filmes, ditos “comerciais”, que não passam de operações financeiras montadas à custa do cidadão e dos seus impostos e que se destinam apenas “realizar capital”. De modo fácil. Estilo casa de passe. Normalmente nem isso conseguem e nunca ultrapassam a vergonhosa situação de um oportunismo indigente, explorando sexo e violência, actores conhecidos e vedetas de televisão ou outras que aceitam despir-se ou voltearem para a multidão.

“Um Funeral à Chuva” quer ser um filme de apetência popular, quer ser visto, mas não abdica nem da dignidade, nem da honestidade, nem da sinceridade. É feito por jovens que querem falar das suas vidas, dos seus problemas, das suas dúvidas, das hesitações, das alegrias e das tristezas, das frustrações e dos sonhos não realizados, das reuniões pela noite dentro, dos copos e dos fuminhos que instilam uma boa disposição artificial e passageira que, todavia, lhes permite encarar o futuro com alguma certeza, ou sem certeza nenhuma, é mais o caso, mas com alegria de viver. È tudo muito complexo, já se sabe, os caminhos nem sempre serão os mais correctos, nem tudo se faz como aconselha o senso comum, mas é assim na vida e também no cinema.

“Um Funeral à Chuva” não é um filme perfeito, longe disso, tem asperezas e fragilidades, mas é uma obra a que vale a pena dedicar tempo e atenção. Funciona um pouco como um “Amigos de Alex” à portuguesa e 50 anos depois. A estrutura assemelha-se, mas as conclusões são diferentes. Sete amigos reúnem-se na Covilhã para enterrar um antigo colega de universidade que morreu precocemente. Alguns deles não se viam há dez anos. A reunião serve para relembrar o amigo, para relançar os afectos, para estreitar os laços entre a comunidade. Serve também para, perante a morte, assumir a vida e a sua verdade. Aceitando frustrações e recusando mentiras.

O filme começa por apresentar as personagens, um escritor de viagens, uma cara da televisão, daquelas que ocupa as madrugadas a entreter os espectadores com aldrabices de concursos infindáveis, dois empregados de um videoclube, uma engenheira, um músico, um professor universitário. As apresentações são sincopadas, deliberadamente desligadas, seguem-se os percursos até à Covilhã, a noitada de convívio, um velório pouco ortodoxo (que julgo muito extenso e repetitivo, com cada um dos amigos a falar em privado com o morto, tornado quase totalmente redundante este episódio) e finalmente o enterro numa das faldas da serra.

Todo o filme assenta nas capacidades técnicas dos artífices (realização escorreita, boa fotografia, de Pedro Azevedo, densa e impressiva, boa montagem, som não muito brilhante, pelo menos na noite da ante-estreia, muito estridente e gritado) mas, sobretudo, na representação. E o elenco é bom, na sua globalidade, mesmo muito bom nalguns casos. Alexandre Silva, Pedro Gorgia, Luís Dias, Sandra Santos são boas apostas, mas também Hugo Tavares, Pedro Diogo, João Ventura, Sílvia Almeida, e as consagradas Adelaide João e Célia Silva.

De Telmo Martins, o realizador e antigo estudante da UBI, nada conhecíamos, apesar de algumas curtas-metragens suas anteriores terem sido bem recebidas nalguns festivais, nomeadamente “Crosswalk”, que sobressaiu no concurso mundial do portal canadiano “iStockphoto” e premiada igualmente no Festival de Tróia, em 2007.

Esta é uma produção da Lobby Productions, sediada na Covilhã, que merece incondicionalmente a atenção do espectador português. Este é um retrato de uma boa parte da juventude portuguesa neste início do século XXI, retrato que será de todo o interesse questionar, discutir, polemizar, mas não ignorar. No mínimo, é uma lufada de ar fresco na panorama cinematográfico nacional que, a calcular pelas reacções da sala cheia do São Jorge, na noite da ante-estreia, pode vir a ser um caso muito sério de adesão de público. Assim tenha tempo para o “passa palavra”, depois do dia da estreia.


segunda-feira, maio 31, 2010

«MAXMEN - 4 Estrelas (ou melhor...pontos)» - "... um dos mais interessantes produtos nacionais a chegar às salas nos ultimos anos."


PORTUGAL APOIA "UM FUNERAL À CHUVA"

«Um Funeral à Chuva»: as reacções na antestreia

Totalmente financiada sem o apoio do Estado, a primeira longa-metragem de Telmo Martins recolheu um consenso de opiniões positivas na antestreia em Lisboa, com o elogio à amizade a ser particularmente louvado.


Zé é hoje professor universitário. Marco, um famoso cronista de viagens. Rui é empregado num clube de vídeo e namora com Vasco. André tenta viver da música que faz e a sua irmã Susana é uma Engenheira bem-sucedida. Diana queria ser actriz, mas tornou-se um dos rostos da televisão nacional, graças ao concurso que apresenta. Em comum, têm o facto de terem partilhado a mesma experiência académica e os 10 anos de separação que prevalecem desde o momento em que saíram da Covilhã.

No dia em que João, amigo comum de todos desde os idos tempos universitários, falece, todos terão que responder ao repto que este lançou enquanto últimos desejos – que fosse enterrado na Serra da Estrela e que o grupo de antigos colegas se reunisse no dia do funeral, para que imortalizassem o momento. Mas como conseguirão os membros do grupo fazer justiça ao desejo de João neste reencontro forçado? Como recuperarão as memórias de um colega que não primou por evidenciar o seu protagonismo? E, acima de tudo, que peso terão os 10 anos que os separam?

«Um Funeral à Chuva» é uma produção invulgar no seio do cinema português: foi totalmente feita sem o apoio do Estado e de quaisquer outras entidades, sendo financiada apenas pela empresa de que é sócio o realizador, com os actores e demais participantes do filme a serem pagos com os eventuais lucros do mesmo. O responsável é o cineasta Telmo Martins, que conseguiu convencer a distribuidora Lusomundo a estrear o filme com 20 cópias, um numero impressionante para fitas nacionais.





cinema.sapo.pt

sexta-feira, maio 21, 2010

Baú: Chasin’ The Bird_royalcafe.wordpress.com

Não é por acaso que, nesta espécie de retrospectiva que tenho feito no Royal Cafe, só agora aborde o “Chasin’ The Bird”.

O Chasin’ começou algures numa já distante noite de 2007. Talvez ainda em 2006, não me recordo bem. Nasceu da junção das ideias de 6 alunos de Cinema, na UBI. Todas em função de um projecto final de curta-metragem, de grupo. Éramos nós: Aqui o anfitrião do espaço, o Humberto Rocha, o Hugo Moreira, o João Gazua, o Alexandre Banhudo e o Tiago Moreira. 6 amigos. 6 grandes amigos.

No momento em que rodámos o Chasin’, a maioria de nós já tinha alguma experiência prática em outros trabalhos de curta-metragem. Quer no “Rupofobia” ou no “Utensílios de Amor”, ambos do Telmo Martins; quer no “Horizonte”; ou até no “Isquémia”, do Hugo Tavares. Praticamente todos nós havíamos desempenhado distintos cargos e funções em cada um desses projectos cinematográficos. Semanas antes da rodagem do Chasin’ havíamos participado, também, quase todos noutro trabalho que, com certeza, recordamos com nostalgia – “Santuário”, de José Ratinho (projecto de outro grupo de grandes amigos nossos).

Acontece que quando acertámos a composição do grupo (suponho que algures entre Outubro e Dezembro de 2006), tínhamos bem presente uma fasquia, pelo menos a nível estético, do que pretendíamos atingir com o projecto a que nos proporíamos dedicar. Tínhamos, também, e principalmente, uma enorme ambição de ir mais além do ponto de vista criativo. Quebrar barreiras narrativas, linguísticas e estéticas da arte cinematográfica. Foi, assim, definido o objectivo – fazer uma verdadeira obra de arte cinematográfica. Com a plenitude dos valores intrínsecos a que tal se possam atribuir. Obviamente que, há 4 anos atrás, ainda todos éramos mais patetas do que hoje o somos. E que, com 20, 21, ou 24 anos, todos nós pensávamos que o nosso precário conhecimento cinematográfico era mais do que suficiente para nos permitir criar uma tal obra que se predispusesse a ir mais além do ponto de vista criativo. Queríamos ser autores, no sentido lato da palavra. E não podíamos estar mais redondamente enganados.

Contudo, e é com eterno orgulho que o reconheço, com “Chasin’ The Bird” conseguimos aquela que, porventura, será a nossa obra mais artística enquanto pretensos cineastas. Por mim falando, creio que nunca mais conseguirei fazer algo tão alternativo, tão intelecto (não do ponto de vista elitista, mas da perspectiva do entendimento resultante de uma interacção entre mente e espírito), tão valiosamente artístico como conseguimos em Chasin’ The Bird. Pelo bem e pelo mal que dessa afirmação resulte, ela é, aos meus olhos, absoluta.

Descrevo agora um pouco do processo.

Juntámo-nos então, munidos de ambições. De pretensões (e este aspecto é que pode ser fatal, no ponto de vista criativo). Quisemos ser grandes. Fazer algo grande. E iniciámos o brainstorming. Houve manifestações de interesse em abordar a toxicodependência. A imigração. A música. Principalmente a música – foi o nosso primeiro grande consenso. Inevitavelmente, Miles Davis (e quem éramos nós, putos de uma geração que se enfrasca em discotecas abundadas de Bobs Sinclars, para pensar sequer em abordar Miles Davis??). Sentimos. Miles Davis era o caminho. Tornou-se para nós obrigatório abordá-lo. Homenageá-lo. Todo ele é música. Uma quota parte da música é ele. Acabámos por delinear uma narrativa com um toxicodependente, amante de música. E com um imigrante de leste que vivia no quarto ao lado.

E decidimos que o filme abordaria uma questão séria – o que será mais forte: o vício ou o prazer?

Chegámos ao consenso que a via seria explorar essa questão. Ilustrar uma narrativa para estabelecer uma expressão de um paradigma aos olhos do espectador.

Carlos seria um toxicodependente ligado ao passado pela relação musical herdada do pai. Uma grafonola simbolizaria o valor material dessa relação. Um poster mítico do Miles também (o olhar de Corbjin é, por si só, um personagem de qualquer espaço), em menor escala. Um dealer forçaria Carlos a desfazer-se desse objecto que, de certa forma, seria o principal elemento da relação deste com o passado que o reconfortava. No preciso momento em que Carlos cede à ordem do Dealer (e à força do seu vício), o imigrante apareceria com um trompete. Carlos, inconscientemente, adoptaria o trompete enquanto objecto de substituição. Enquanto símbolo desse conforto perdido. Na sua cabeça, o som do trompete soava. Os acordes com que o pai o educara. Agora, ali, do outro lado da parede. O conforto voltara e Carlos rejubilava. A consciência de Miles omnipresente (também Miles fora um heroinómano). O estímulo, aos ouvidos de Carlos, seria o bater da porta. Imigrante no quarto, conforto ao alcance. Imigrante fora, desordem incontrolável. A ressaca. A ausência de conforto. O consumo, harmonia. O consumo sem estímulo (imigrante fora do quarto, ausência de música), a desordem. E, por aí, perguntar ao espectador: Será que é mais forte uma ressaca da ausência de heroína ou da ausência de música (símbolo do conforto, da motivação). Encontrámos, para dar corpo a essa questão, uma brilhante expressão numa brilhante letra dos Clã: “Será que o BEM nos faz sofrer, por nunca o vermos existir em nós?”.

Carlos sofreria essa angústia dupla, em espaço circunscrito. Uma jornada interior, pela busca de conforto. O eterno dilema.

E, ao contrário do que este formulara, o Imigrante não tocaria acorde algum no trompete. O objecto destinava-se para oferta ao filho. Para envio à terra natal. Também, para ele, o objecto possuiria um valor metafísico. Espiritual. Do sentimento de saudade pelos seus. De esperança. De crença. De alegria. De tristeza. Também, para ele, o objecto era complexo. Esse ambíguo objecto – o simples instrumento de Miles Davis.

Até aqui, tudo bem.

A coisa era mesmo brilhante. O próprio símbolo dos CTT era um cavaleiro branco a tocar trompete. O imigrante terminaria o filme a dirigir-se aos CTT. Cavalo… Trompete… Tudo fazia sentido. Relações incríveis que nós descobríamos. Sentimo-nos verdadeiros autores cinematográficos, como jamais sentiremos. Estávamos a conseguir algo mais profundo do que alguma vez imaginámos. Mas foi aqui, neste preciso momento, que pecámos. Ao querermos ir além. De encontro a essa ambição que nos movia.

Esquecemos (ou passámos para segundo plano) a componente cinematográfica da obra. Enquanto produto que formula uma comunicação entre autor e espectador. Subvalorizámos o poder do código, em função da mensagem. Desrespeitámos a técnica, a linguagem. Em função da ideia. Do brilhantismo. Da arte.

E soubemos criar algo que se debruçasse na barreira da linguística e no poder da comunicação oral (a sequência em que o Imigrante fala ao telefone com a mulher e explica a sua situação e a representação do trompete aos seus olhos, com Carlos a espreitar, ansioso, descontrolado, ressacado com a ausência do conforto, da presença do Imigrante no quarto anexo), um exercício puro sobre a causa-efeito. Sobre a incomunicabilidade dos seres humanos. O que um diz e o outro não descodifica. O efeito adverso que tal provoca. Soubemos criar uma sequência que expusesse tal problemática. Mas não soubemos nós, enquanto autores, resolvê-la. Não soubemos descodificar o código de transmissão da nossa ideia ao espectador. Não tivemos arte, nem engenho, para que a mensagem passasse. E a comunicação fosse feita. Porque, em sentido primeiro, a arte cinematográfica é, e sempre será, um meio de comunicação. E não soubemos, assim, fazer com que a nossa causa obtivesse o efeito pretendido.

Como tal, não soubemos transmitir que, quando o Imigrante pousa o telefone, Carlos regressava ao quarto e aguardaria expectante pelo som da porta a fechar. Prepararia-se convenientemente para esse momento de conforto. A junção do consumo da substância com o estímulo do início musical (accionado pelo som da porta a fechar). Abriria a janela, para o fazer à luz do dia. Procuraria o momento perfeito. A perfeita harmonia (a transmissão da mensagem pretendida talvez seja agravada pela performance do Hugo e do uso que ele dá ao “garrote”, em jeito de forca – mas, após algumas visualizações do filme por terceiros, tal pormenor seria mesmo das coisas que mais agradava no filme, e optámos por mantê-la – a coisa estava mal resolvida e mais valia ter um pormenor que suscitasse reflexão na memória do espectador!). O Imigrante entraria no quarto sem fechar a porta, pegaria as chaves de casa e sairia, fechando a porta atrás de si. O estímulo em Carlos seria accionado neste momento (quando Carlos pensaria que o Imigrante se fechara no quarto, este acabava de sair – nova problemática da causa-efeito, a barreira da incomunicabilidade entre 2 espaços distintos, 2 realidades distintas). Soaria música. Prevaleceria a harmonia, em Carlos. O Imigrante entrava nos CTT. Uma pomba branca entrava no quarto de Carlos. Um pássaro, símbolo máximo da liberdade. Carlos tentaria apanhá-la. Perseguiria a liberdade que estava ali à sua mercê. A liberdade (pássaro) fugiria, aos seus olhos. O bem de Carlos continuará a fazê-lo sofrer, por nunca o ver existir nele.

E, com o exercício, ofereceríamos ao espectador a possibilidade de reflectir na oportunidade que Carlos teve. E que nós pretendemos ilustrar, ao longo do filme. Ele teria tido a possibilidade de optar pelo prazer. Em detrimento do vício. Acreditámos que seria possível deixar essa mensagem de esperança, a quem passe pela problemática. Carlos não o conseguiu. Mas, aos nossos olhos, a libertação está ao alcance de cada um. Na dependência desse conforto, em detrimento da substância. Em calão simplista – Agarra-te à música. E livra-te da heroína.

E, pelo não domínio de toda uma linguagem cinematográfica, não conseguimos fazer com que o filme resultasse, do ponto de vista comunicativo.

Fomos brilhantes, continuo a dizê-lo. Conseguimos criar algo riquíssimo, em termos metafísicos. De valor artístico. Conseguimos criar algo muito mais profundo do que aquilo que inclusive temos noção. Mas que não comunica. Não é bem sucedido, na transmissão da mensagem. E com a mesma segurança que afirmo que jamais conseguiremos fazer algo tão profundo, tão rico do ponto de vista artístico, jamais pretenderei enveredar por uma via de recurso cinematográfico em função de um brilhantismo intelectual que não me possibilite comunicar com o público. Renegarei, a priori, qualquer criação minha que só aos meus olhos seja inteligível. Serei, sempre, e acima de tudo, um comunicador. Não posso admitir que, aos olhos da pessoa que mais contributo teve na minha educação cinematográfica, uma obra minha não seja passível de entendimento. É completamente anti-natura.

Muito por isso, por essa consciência, as minhas obras seguintes foram “Azeitona” e “Um Funeral à Chuva” (ainda que esta não tenha sido eu a realizar). Filmes complexos, à sua medida. Talvez menos intelectualizados que “Chasin’ The Bird”. Mas, certamente, mais perceptíveis. E, garanto-vos, é muito melhor sentir que tivemos um espectador emocionado, sensibilizado com a mensagem que transmitimos, do que alguém confuso, lutando consigo próprio para tentar perceber a mensagem que quisemos transmitir.

“Chasin’ The Bird” foi rodado entre Belmonte e Manteigas, creio que em Maio de 2007. Teve 5 dias de rodagem (90% passados no quarto de Carlos, que tão pouco higienicamente caracterizámos…), uma equipa de cerca de 15 pessoas e um orçamento de 600€. O Hugo Tavares, o Dmitry Bogomolov e o Luis Alçada foram irrepreensíveis, na forma como abraçaram este projecto. O Gonçalo Marques foi brilhante a personificar o ambiente do filme com as notas do seu trompete. Toda a equipa foi impecável, sensata e paciente num meio algo claustrofóbico como podem acreditar que é a desactivada pensão “Altitude”. Um enorme OBRIGADO a todos aqueles que contribuiram para o sucesso deste projecto e aos que, acima de tudo, o possibilitaram.

Lembro-me do dia em que fui com o Hugo Tavares a um Centro de Desintoxicação, na região, e da profunda conversa que tivemos com um “hóspede”. Por sinal, também ele havia cedido a guitarra que lhe havia sido oferecida pelo pai e que, de forma tão dolorosa, o remetia para os laços familiares perdidos. O seu testemunho foi importantíssimo para nós, enquanto processo criativo. O Hugo foi brilhante, nas suas qualidades de observador, a retirar todos os ínfimos pormenores que o fizessem incorporar sentimentos, expressões ou atitudes próprias de alguém consumido pelo vício da heroína. Foi algo que me marcou, enquanto criador. É importantíssimo, em cinema, utilizar os recursos possíveis do método Stanislavski. Em qualquer das fases do processo criativo. Seja na escrita, na planificação/decoupage, na representação. O bom autor é, acima de tudo, um performer. Um ilustrador. E o exímio é aquele que sabe caminhar nos terrenos que pisa.

Recordo inúmeras outras coisas, relacionadas com este projecto. Boas e más. Na sua grande maioria, dominam as positivas. E dominam com nostalgia. Hoje faria tudo igual, novamente.

Fica para a história um filme. Este filme.


Talvez, para mim, o maior contributo artístico das nossas vidas.


Nenhum outro trabalho me orgulhará nem decepcionará tanto como este. Porque é brilhante e incapaz. Por isso, gigante e inútil enquanto obra fílmica. Porque com a pretensão vem o egoísmo criativo, intelectual. E o esquecimento de que o fundamental é saber comunicar, com recursos a imagens e sons.

Sem dúvida, para nós, uma lição.

Uma enorme lição de cinema.

Que, aqui no Royal Cafe, vos tardia e reflectidamente confesso.

E que, ao reconhecê-la, mais me confronto com o panorama geral da produção cinematográfica portuguesa. Um panorama de egoísmo criativo, de incapacidade comunicativa consciente ou de facilitismo exasperado. Que precisa, cada vez mais, de encontrar um meio termo. Um meio termo que o promova. Que o aproxime do receptor. E que, acima de tudo, o glorifique na sua função primária – a comunicativa. Porque a Arte só existe se transmitida.

Deixo-vos também os vídeos do Making Of do Chasin The Bird, da autoria do génio de Leandro Silva.

Esta pequena pérola (o primeiro vídeo), por ele captada em plena rodagem, é o verdadeiro exemplo de como deve ser um Making Of – Um Filme dentro do Filme, A Tugalidade dentro de um Filme Tuga:

Filme, A Tugalidade dentro de um Filme Tuga:

Havia outro, que entretanto foi removido pelo Youtube… Parece que não havia direitos para o uso da música… Ainda que se tratasse apenas de um Making Of de uma curta de estudantes…

Blog do Filme

Volto em breve,

Entretanto há uma estreia nacional de “Um Funeral à Chuva”. 3 de Junho, num cinema perto de si!


sexta-feira, abril 09, 2010

NÚCLEO DE CINEMA DA UBI – EYE I APRESENTA



Ciclo “Imagem e Fotografia”

Dia 12 – 2ª Feira - 21:30h
“Uma Abelha na Chuva” (1972)
Realização: Fernando Lopes

Dia 13 – 3ª Feira - 21:30h
“E La Nave Va” (1983)
(O Navio)
Realização: Federico Fellini

Dia 14 – 4ª Feira - 21:30h
“Mat i Syn” (1997)
(Mãe e Filho)
Realização: Aleksandr Sokurov

Dia 15 – 5ª Feira - 21:30h
“Viskningar Och Rop” (1972)
(Lágrimas e Suspiros)
Realização: Ingmar Bergman

via facebook

sábado, fevereiro 20, 2010

Horizonte (Horizon) by Luis Campos

(...) A pós-produção extendeu-se por 3 anos. Só em 2009 ficou finalmente concluído. Novamente as minhas desculpas a todas as pessoas que aguardaram com entusiasmo pela visualização do resultado final. Mas problemas de origens diversas e de formas sucessivas foram “atormentando” a conclusão deste projecto.

Agora chega à grande janela. Em primeira mão aqui no Royal Cafe.

Se sei que, hoje, enquanto guionista e realizador faria muita coisa diferente do que fiz nesse projecto, igualmente sei que, se tivesse a possibilidade de amanhã repetir a experiência, a decorrer de forma exactamente igual à que correu então, não rejeitaria nem um segundo.

E hoje voltaria a tentar adormecer com o mesmo nervoso miudinho que me dominou nessa já distante noite de Julho.

Podem acompanhar os vídeos do making of aqui. Obrigado por tudo, Ivo.

Volto a abrir o baú em breve. Até lá.

royalcafe.wordpress.com

vimeo.com

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Baú: Coisa Hindu_royalcafe.wordpress.com

"Aproveito, finalmente, e após o término do prazo de validade de submissão a festivais dos meus trabalhos cinematográficos previamente realizados, para apresentar, em primeira-mão, a disponibilização online dos mesmos.


Assim, será com uma mista sensação de orgulho e nostalgia que, pontualmente, os publicarei aqui no Royal Cafe.


Para celebrar o evento, deixo-vos com “Coisa Hindu”, uma curta-metragem produzida com carácter totalmente independente e inserida no âmbito de um exercício fílmico para a cadeira Géneros Cinematográficos (componente do Mestrado em Cinema, Realização, na UBI), em que se pretendia explorar o género de comédia negra."

Espero que gostem

Luís Campos


"Os meus mais sinceros agradecimentos a toda a gente que ajudou a tornar esta ideia possível, ao Tiago, ao Luis e à Inês que se pre-disponibilizaram a imortalizar essas caricatas personagens, aos The Guys From The Caravan por com tanto entusiasmo terem aceite o meu repto. Aos colegas que durante 3 dias respiraram Coisa Hindu e cujas contribuições não só possibilitaram como acresceram o nível qualitativo do projecto. Aos que apoiaram (espiritual e logisticamente), em especial o apoio incondicional dos meus pais. A todos aqueles que sabem que, por mais indirectamente que seja, estiveram relacionados com a concretização do projecto. E ao Abib. Porque mesmo sem perceber uma única palavra de português, conseguiu emprestar um carisma incrível à sua personagem e torná-la possível.


O Coisa Hindu foi rodado em Janeiro de 2008, em 3 dias e 2 noites (creio, já não me recordo com exactidão), integralmente na cidade da Covilhã e teve um custo de cerca de 150€, que permitiram pagar as despesas de deslocação do Tiago e da Inês.


Foi filmado em Mini-DV e integrou a sessão competitiva do Festival de Arouca 2008. Ganhou o prémio do público na MOSTRA UBICINEMA 2008, na categoria de trabalho extra-curricular. E teve a nota de 18 valores na cadeira em que se inseriu!!!


Hoje que o filme chega à janela global, é com um enorme alegria que espero que aqui e ali o filme vos consiga arrancar algum sorriso, por mais tímido ou azedo que seja.


Estejam à vontade para comentar. A vossa participação é o maior estímulo para esta divulgação.


O baú volta a abrir em breve. Até lá."


royalcafe.wordpress.com


vimeo.com

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Poder e liturgia em The Godfather de Francis Ford Coppola por António Fidalgo

Resumo:
"O filme "The Godfather" (intitulado "O padrinho", em Portugal, e "O poderoso chefão", no Brasil) éum filme de "gangsters", de uma família mafiosa, de um poder constituído fora da lei. A conquista, amanutenção e a defesa do poder é feita com recurso à violência, ao assassinato inclusive. A tese queproponho expor e defender neste artigo é que o poder da família Corleone não é um poder despótico, mas um poder altamente controlado, regulamentado por códigos de honra, de parentesco, de amizade."

"Isso por um lado, e por outro lado, que o exercício desse poder tem uma componente simbólica fortíssima, uma componente litúrgica como irei demonstrar. " (....)


quarta-feira, outubro 14, 2009

UBI CINEMA 2009 - Mostra / Jornadas_9 a 16 de Outubro 2009_Cinubiteca, Universidade da Beira Interior, Covilhã


PROGRAMA

Quarta 14
11h00 - Masterclass - Rui Poças
16h15 - Jornadas - Cinema em Portugês
- Magusto
21h00 - Mostra - Os Filmes da UBI

Quinta 15
11h00 - Masterclass - Patrícia Vasconcelos
14h30 - Escolas Convidadas
16h15 - Mostra - Filmes Livres
- Os Filmes de Pedro Azevedo
21h00 - Mostra - Os Filmes da UBI
00h00 - Festa

Sexta 16
11h00 - Masterclass - Lígia Lopes de Sousa Carreto
14h30 - Encerramento - Actividades 2010 + Entrega de Prémios
21h00 - Jantar de Curso

sexta-feira, outubro 09, 2009

UBI CINEMA 2009 - Mostra / Jornadas_9 a 16 de Outubro 2009_Cinubiteca, Universidade da Beira Interior, Covilhã


PROGRAMA

Sexta 9
11h00 - Workshop - Cinema e 3D

Segunda 12
14h30 - Abertura - Lição de Cinema: Paulo Branco
21h00 - Som e Imagem - Encontro: Miguel Clara Vasconcelos

Terça 13
11h00 - Masterclass - Ana Mendes
14h30 - Jornadas - Cinema em Português
21h00 - Mostra - Os Filmes da UBI
00h00 - Festa

Quarta 14
11h00 - Masterclass - Rui Poças
16h15 - Jornadas - Cinema em Portugês
- Magusto
21h00 - Mostra - Os Filmes da UBI

Quinta 15
11h00 - Masterclass - Patrícia Vasconcelos
14h30 - Escolas Convidadas
16h15 - Mostra - Filmes Livres
- Os Filmes de Pedro Azevedo
21h00 - Mostra - Os Filmes da UBI
00h00 - Festa

Sexta 16
11h00 - Masterclass - Lígia Lopes de Sousa Carreto
14h30 - Encerramento - Actividades 2010 + Entrega de Prémios
21h00 - Jantar de Curso