quarta-feira, abril 14, 2010

Museu de Lanifícios - Na Covilhã a tecer o futuro com os fios do passado

«Os fios do passado a tecer o futuro». O lema constitui a máxima do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior, na Covilhã. É de acordo com este princípio que a directora, Elisa Pinheiro, realça a importância de manter a «conservação activa» do património que tem à sua guarda. Investigação é coisa que não falta à instituição.


Está situado numa das zonas do País onde a indústria já foi rainha: a Covilhã. O Museu de Lanifícios (também conhecido por MUSLAN) constitui um Centro Interdepartamental da Universidade da Beira Interior (UBI), tutelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.

Ao Café Portugal, a directora do Museu de Lanifícios, Elisa Calado Pinheiro, explica que este espaço tem como objectivo fundamental «a salvaguarda e a conservação activa do património industrial têxtil, assim como a investigação e a divulgação da tecnologia associada tanto à manufactura como à industrialização dos lanifícios».

Elisa Calado acrescenta que o MUSLAN procura apreender o contexto territorial e organizacional desta actividade numa vasta área que tem por matriz a Serra da Estrela e por centro histórico a cidade da Covilhã, «tendo ainda em conta as dimensões antropológica, económico-social, cultural, político-constitucional e ambiental que aquela actividade envolve».

Um Museu instituído com a finalidade de salvaguardar a área das tinturarias da Real Fábrica de Panos, uma manufactura de Estado, fundada pelo Marquês de Pombal em 1764 e classificada como Imóvel de Interesse Público. A este propósito Elisa Pinheiro sublinha que esta zona «foi sujeita a uma intervenção de conservação e restauro, tendo sido musealizada», constituindo o Núcleo da Real Fábrica de Panos do Museu de Lanifícios da UBI.

A directora do Museu explica que este, sendo um «museu com vários pólos, instituiu o Núcleo das Râmolas de Sol, um núcleo museológico ao ar livre, como um modelo de salvaguarda do património industrial disperso pela cidade e região e criou um Centro de Documentação/Arquivo-Histórico para salvaguardar as fontes documentais deste património».

«Uma vez que o património industrial da região está na sua grande maioria na posse de particulares temos desenvolvido diversas acções de sensibilização e de divulgação desse mesmo património», afirma. Uma das funções da instituição é também essa: a de promover e contribuir para o desenvolvimento da investigação científica na área da história da industrialização dos lanifícios, do património industrial, da arqueologia industrial e da indústria dos lanifícios em diversas vertentes (económica, social, tecnológica, artística e cultural).

A rota da lã

Elisa Calado lembra, também, que a Rota da Lã «foi estabelecida pelo Museu e dinamizada tanto a nível nacional como internacional, através de diferentes meios e suportes, partindo da investigação realizada no território da Beira Interior (distritos da Guarda e de Castelo Branco)». Por isso, «o acervo incorporado tem sido conservado, estudado, divulgado e enquadrado em diversas actividades de natureza sócio-cultural». Elisa Pinheiro frisa, ainda, que foram criadas duas linhas de investigação desenvolvidas sobre a temática da lã e dos lanifícios, na origem da realização dos inventários das vias pecuárias e do património industrial da região.

Recorde-se que a região está historicamente ligada a um espaço rico de diversidades relacionadas com a lã. O Museu procura manter vivo esse passado.

Outra das finalidades deste Museu passa por contribuir para a valorização da lã, para a reabilitação da memória do trabalho dos lanifícios, quer numa perspectiva local e regional - cidade da Covilhã e região da Serra da Estrela -, quer numa perspectiva nacional, bem como reconstituir os processos de tingimento dos panos de lã mais utilizados em Portugal, sobretudo até finais do séc. XVIII.

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